

O setor metalmecânico do Vale do Aço atende a todo o país nos mais variados setores -Foto peça recuperador de calor da Thermon Indústria
Por Márcio de Paula –
A indústria vive um momento de instabilidade econômica em função dos vários acontecimentos, como as taxações do presidente dos EUA Donald Trump, a guerra de Israel e EUA contra o Irã, que interditou o Estreito de Ormuz e provocou alta nos preços dos combustíveis, a guerra da Rússia contra Ucrânia, além da reconfiguração das forças geopolíticas no mundo.
O Brasil não é imune aos acontecimentos globais. A indústria brasileira, em especial do aço, sofre com o derrame dos produtos asiáticos, sobretudo dos chineses, que gera concorrência desleal, já que são subsidiados pelo seu governo.
Atualmente a indústria apresenta um cenário de recuperação no primeiro semestre de 2026, com expansão acumulada no ano de 1,7% e projeções de crescimento anual entre 1,6% a 2,3%. Já a previsão do Produto Interno Bruto, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), está estimada em crescimento de 1,6%. A confiança da indústria no Brasil, segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), apresentou alta pelo segundo mês seguido em junho, pela melhora na percepção atual e recuperação das expectativas para os próximos meses. Ainda segundo a FGV, o Índice de Confiança da Indústria (ICI) subiu 3,0 pontos na comparação com o mês anterior, e chegou a 100,1 pontos.
Cenário regional
No Vale do Aço, um dos maiores polos industriais do setor metalmecânico do Brasil, o sentimento é de leve melhora e as expectativas para o segundo semestre são de avanço. De acordo com o empresário Rosélio Miranda, da Usirome, o momento é estável, mas as previsões são de evolução. “O Vale do Aço segue essa tendência nacional. Em relação à nossa empresa tivemos alguns pedidos colocados recentemente, mas estava bem escasso no início do ano. Agora estamos percebendo um crescimento para o segundo semestre,” disse Rosélio.
Segundo João Batista, presidente da FIEMG Vale do Aço e do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico do Vale do Aço (Sindimiva) e diretor da Thermon Indústria Mecânica, a região já se acostumou com a sazonalidade do setor. “Nós sempre temos um período de retração na indústria que começa em dezembro e vai até pós-carnaval, 2026 teve um pequeno atraso na retomada. Mas, esse mês já começou com a Usiminas colocando bastante serviço no mercado, tenho conversado com o pessoal da Usiminas, Aperam e Cenibra, e acredito que em mais dois meses já esteja estabilizado”, projeta João Batista.
Visibilidade
O Vale do Aço conta com um Arranjo Produtivo Local (APL) do Setor Metalmecânico que lhe confere mais possibilidades de acesso a outros mercados. A região é fornecedora da indústria de petróleo e gás, e credenciada para fornecer para a indústria naval. E para aumentar sua participação no mercado, algumas iniciativas importantes são realizadas para maior visibilidade e fomento à indústria local.
A ExpoUsipa, por exemplo, uma das maiores feiras de negócios do interior de Minas Gerais, tem o Encontro de Negócios que reúne grandes empresas âncoras e fornecedores de diversos segmentos. A iniciativa cria oportunidades para apresentação de portfólios, prospecção de clientes e ampliação de parcerias comerciais, fortalecendo a cadeia produtiva regional e nacional.
Outro evento relevante foi o Conexões MME – Encontro Nacional de Grandes Compradores da Indústria de Petróleo, Gás e Naval no Vale do Aço, promovido pelo governo federal em parceria com o SINDIMIVA, FIEMG Vale do Aço, APL Metalmecânico e a Agenda de Convergência. A iniciativa que aconteceu no início do ano contou com a presença do Ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, além de autoridades políticas, empresariais, lideranças locais e mais de 70 fornecedores e 11 indústrias compradoras, entre elas: Axia, Petrobras, Sigma,Techint, Transpetro, Estaleiro Vard e Eneva.
Outra iniciativa importante é o Encontro de Networking, criado pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico da prefeitura. Este ano aconteceu como Encontro de Networking do Aço Inox Sustentável, durante a ExpoInox. Foram vários convidados, entre empresários locais, de outros estados, autoridades, instituições e membros governamentais estratégicos. Um dos convidados foi José Rodrigues, consultor sênior da Indústria Naval. “Tenho mais de 40 anos de experiência na indústria naval, construímos 45 navios até agora e 12 plataformas. Em cada navio 50% do peso é aço plano, e essa região produz aço plano. O Brasil tem capacidade para entregar 15 navios por ano, o que dá em torno de 500 mil toneladas por ano de aço plano para as siderúrgicas nos fornecerem. Esse tipo de evento é muito importante, é uma oportunidade de estar nos municípios, entender suas capacidades e divulgar essa capacidade lá fora,” disse José Rodrigues.
Outro convidado do evento, que aconteceu na Fundação Aperam Acesita, foi Renato Dutra, Secretário Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustível do Ministério de Minas e Energia. Ele deu uma verdadeira aula sobre a situação do petróleo e gás no país. Segundo Dutra, o pré-sal chega ao pico de produção nos próximos 3 a 4 anos, e depois acontecerá um declínio, mas também destacou novas fronteiras. “Se olhar essas novas fronteiras como na Margem Equatorial no norte e a Bacia de Pelotas no extremo sul, são duas áreas possíveis de extração e nós estimamos que deva existir mais um pré-sal nessas áreas, então é mais uma oportunidade de desenvolvimento para nosso país,” projeta Renato Dutra que também destaca que poderá ser uma ótima oportunidade para a indústria do Vale do Aço.
Para o Secretário de Desenvolvimento Econômico de Timóteo, Itaécio Marinho, é importante trazer nomes relevantes que possam ajudar a impulsionar a indústria local. “Estamos dando visibilidade para o nosso município, nossa região e nossos empreendedores no âmbito estadual, nacional e internacional. Que continuemos com essas ações, com essas políticas públicas para ajudar todos os segmentos como metalmecânico, indústria, comércio e prestação de serviços,” destaca Itaécio.
Perspectivas
O futuro da indústria regional é promissor em função dos investimentos para mitigar os gargalos logísticos, como a duplicação da BR 381; a pavimentação da MG 760 com o Contorno Viário de Timóteo e os investimentos no aeroporto regional. Vislumbrando oportunidades há previsão de no mínimo quatro novos distritos industriais a serem lançados em um futuro próximo em Timóteo, Coronel Fabriciano, Santana do Paraíso e Cava Grande, distrito de Marliéria, contudo, há algumas ressalvas como por exemplo a proximidade com a região da Sudene e a atuação do Banco do Nordeste, que tende a atrair mais empresas em função das melhores condições de financiamento.
O presidente da FIEMG Vale do Aço vê oportunidades de grande crescimento em um futuro próximo. “Temos de separar o imediato do futuro. Somos um ecossistema com pequenas, médias e grandes indústrias. Acredito que nos próximos cinco anos teremos um crescimento importante. Estou esperançoso“, destaca João Batista.