
Márcio de Paula, Editor do jornal O Informante - Foto: Elvira Nascimento
Por Márcio de Paula –
A política é importante na vida de todos e, por mais que muitos demonstrem certa indiferença em relação ao tema, ela é responsável por muitas coisas que acontecem com a pessoa e com os outros ao seu redor. Em outro extremo, há aqueles que entendem a força e a importância da política, mas estão tão contaminados com suas convicções partidárias que, por vezes, se negam a tentar fazer uma reflexão mais profunda sobre escolhas mais assertivas.
O voto para presidente é extremamente importante, mas, neste editorial, o tema é a representação no Poder Legislativo. Minas Gerais terá desta vez a oportunidade de eleger dois senadores, o que será importante para o estado e para o país. Contudo, o que mais terá impacto direto na região são as escolhas para a Assembleia Legislativa e a Câmara Federal.
Somente na Região Metropolitana do Vale do Aço são 342.230 eleitores aptos a votar, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral. São 176.500 em Ipatinga, 80.072 em Coronel Fabriciano, 59.801 em Timóteo e 25.857 em Santana do Paraíso, segundo o Tribunal Superior Eleitoral. Somente com esses eleitores seria possível eleger dois deputados federais e, no mínimo, dois estaduais. Atualmente, há o deputado estadual Celinho do Sintrocel e a deputada federal Rosângela Reis. O próprio Celinho do Sintrocel, quando foi prestar contas dos recursos enviados para as cidades ainda no início do ano, destacou a importância de, além de manter o que já tinha, buscar mais deputados para a região.
Levando em consideração todo Colar Metropolitano, o número de eleitores aumenta significativamente, chegando a cerca de 646 mil eleitores somam-se mais 24 municípios, totalizando 28 municípios.
O Poder Legislativo sempre teve sua importância, mas aumentou muito sua representatividade nos últimos anos com o instrumento das emendas impositivas. Antes, os legisladores fiscalizavam e sugeriam; atualmente, impõem ao Poder Executivo determinadas obras ou recursos para favorecer diferentes setores, e ele tem a obrigação de executar.
Escolher o candidato da sua região é fundamental, mas é apenas o primeiro ponto de atenção. Há vários outros aspectos que precisam ser observados, como, por exemplo, se o candidato já tem um histórico de serviços prestados à sociedade. Aqueles que esperam ganhar, para só a partir daí, fazer alguma coisa estão na verdade apenas atrás de uma “boquinha”, focados em interesses próprios e não coletivos.
Há também aqueles que colocam seu nome na disputa apenas para ter visibilidade, mas com outros objetivos, como tentar ser candidato a vice, a vereador ou ter algum poder de barganha na próxima eleição municipal.
E há outros que têm a prefeitura municipal como objetivo principal. Pode até ganhar para deputado, mas pode ter a intenção de daqui a dois anos abandonar o mandato para concorrer à prefeitura, o que acabará proporcionando ao seu suplente de outra região assumir o mandato. Isso traz prejuízo político e financeiro ao Vale do Aço por perda de representatividade, por isso, é preciso votar em quem se compromete a terminar o mandato caso seja eleito.
Há também aqueles votos que são meramente ideológicos. Há candidatos que receberam votação expressiva na região, mas não enviam, ou enviam poucos recursos para esses municípios.
Contudo, há pouquíssimas exceções em que um deputado de fora, em função do alinhamento político com o prefeito, enviou recursos significativos para o município, mas envia mais para a sua cidade e região, como é normal acontecer.
Desta vez o Vale do Aço não pode se permitir cometer os mesmos erros das eleições anteriores com a dispersão dos votos, sobretudo em função de dois grandes motivos. O primeiro é o delicado momento econômico. Ao andar pelo centro das principais cidades do Vale do Aço, vê-se uma quantidade de lojas fechadas que talvez ainda não se tenha visto. Além disso, é significativo o número de grandes e tradicionais empresas pedindo falência, recuperação judicial ou outros mecanismos de recuperação empresarial, como aconteceu com o Grupo Gennius, dono do Habib’s e do Ragazzo, Casas Bahia, Lojas Marabraz e o Grupo Toky, dono da Tok&Stock e Mobly, entre outras. Por enquanto, somente até o segundo trimestre de 2026, o Brasil teve um recorde de 6.341 empresas em recuperação judicial segundo dados do Monitor RGF de Recuperação Judicial.
Há ainda os impactos da reforma tributária, que ninguém consegue prever ao certo como serão, porque algumas questões ainda estão indefinidas pelo governo federal. Também pelos motivos acima citados, será preciso mais representatividade no Parlamento estadual e federal.
Em outra frente, o Vale do Aço passa por investimentos estruturantes significativos, sobretudo para mitigar gargalos logísticos, como duplicação da BR-381, contorno Viário de Timóteo e expansão do Aeroporto Regional do Vale do Aço. Vai precisar de mais representantes na Assembleia Legislativa e na Câmara Federal para dar maior sustentação.
Mesmo o voto sendo individual, é importante uma consciência regional, e a forma pulverizada como o eleitor do Vale do Aço historicamente escolhe seus representantes na Assembleia e na Câmara é um misto de inocência, falta de visão estratégica e pouca responsabilidade com a cidade e região onde vive.
É preciso que o eleitor do Vale do Aço olhe para o Vale do Aço, e pelo menos dobre o número de representantes nas já citadas casas legislativas. É isso ou seguir vendo outras regiões com maior representatividade crescerem, e o Vale do Aço continuar estagnado. A iniciativa privada tenta fazer a sua parte para o crescimento do Vale do Aço, mas existe um teto que só pode ser expandido com maior representatividade política, por isso, estão nas mãos dos eleitores os rumos da sua cidade e região.